Logo mais escreveremos aqui o balanço geral do Ugra Zine Fest. Por enquanto, deixamos o depoimento do amigo Márcio Sno, pessoa que nos apoiou intensamente durante todos esses meses.

Acordei hoje às 7h e não consegui mais dormir. As imagens do dia anterior ainda saltitavam na minha cabeça.

Não sei como cheguei em casa, pois minhas pernas meio que não respondiam mais por conta do dia intenso de muitas atividades que foi conduzida com um único tema:

Fanzines. Lembra aquele meio de comunicação que teve seus dias contados lá nos meados dos anos 1990 quando o computador começou a se popularizar e a internet estava começando a invadir os lares, e os webzines e blogs eram os executores dessa morte declarada? Pois é, como Fellipe CDC já havia dito: “fanzine é que nem zumbi, pode tentar matar e enterrar, que ele sempre volta”.

E isso foi mais do que provado com a realização do 1º Ugra Zine Fest. O evento que, a princípio, seria apenas o lançamento do 1º Anuário de Zines, culminou em um grande evento, repleto de atividades e que conseguiu reunir muitos fanzineiros de todos os cantos no Espaço Concreto, na badalada Vila Madalena, zona oeste de São Paulo.

No espaço, foram disponibilizadas três salas para exposições de fanzines de várias gerações, de uma forma muito criativa: uma vez com capas espalhadas aleatoriamente numa parede, ora “caindo” do teto e também como literatura de cordel, como se fossem roupas no varal. Segundo Gazy Andraus, “a melhor exposição de zines” que ele já viu (e olha que o cara viaja Brasil afora para participar de eventos do tipo!). A instalação fica até 20/02.

Para começar as atividades do dia, Rodrigo Okuyama aplicou uma oficina de encadernação artesanal. Pude conferir alguns de seus trabalhos, e o cara é fera! Faz umas coisas lindas!

Na sequência, a Cooperativa Manjericão ensinou o pessoal a produzir serigrafia, de forma artesanal, feito com material reaproveitado. Gazy Andraus e Elydio dos Santos Neto falaram sobre suas experiências com os “biographic zines”, aplicados em turmas de mestrado, na qual o fanzine atuou como ferramenta pedagógica. Vale lembrar que ambos são doutores e utilizam o fanzine em diversas situações. Ou seja: vai pensando que fanzine é só diversão…

O pessoal da Cooperativa Manjericão e do Coletivo Você tem que Desistir falaram sobre a bastante comentada “Tour de Zines” que percorreu diversas cidades do país, levando o fanzine e outras atividades ligadas ao veganismo, produção gráfica, serigrafia e tudo mais.
Olga Defavari falou sobre a sua experiência em escrever o livro “A imprensa alternativa no ABC”, curiosamente, como ela mesma falou, era a única pessoa que estava palestrando que não havia feito fanzine, porém, acompanhou de perto o trabalho de fanzineiros da região pesquisada, que ajudaram a escrever a história da cena do ACB.
A próxima atividade foi um debate em que eu participei junto com Fernanda Meireles (que veio de Fortaleza/CE para esse evento), Renato Donisete, que há 20 anos edita o Aviso Final e também Gazy Andraus. Para mim, foi uma grande honra dividir a mesa com pessoas tão importantes para a fanzinato nacional. O tema foi “O futuro dos fanzines”, mas é lógico que não falamos apenas disso!  Sala cheia e apenas uma pessoa dormiu!

Na sequência, aconteceu um show surpresa e depois foi a tão esperada estreia do primeiro capítulo do documentário “Fanzineiros do Século Passado”. Todos ficaram quietinhos para assistir.  Alguns dos personagens do doc estavam lá: Kris Santos, Hugo Leta, Renato Donisete, Thina Curtis, Gazy Andraus e Adilson Ribeiro. Foi um sucesso! Fiquei muito feliz com a repercussão e a alegria dos presentes com o filme. Fechou com chave de ouro!

Quero, mais uma vez, publicamente parabenizar os organizadores desse evento, que é um marco no fanzinato nacional, muito bem organizado e “redondinho”! Merece aplausos de pé pela garra e a vontade de fazer algo em prol dessa nossa arte por muitos tachada como marginal, mas que é uma das grandes razões de nossa existência!
Que a força esteja sempre com você!

Retirado do Zinescópio

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Sabe a ansiedade que antecede a primeira foda da sua vida? Pois é exatamente esse tipo de ansiedade que estamos sentindo agora!

Depois de meses de trampo, começa hoje o 1o. Ugra Zine Fest. Lá no Impróprio, travessa da gloriosa Rua Augusta. E amanhã um dia inteiro de atividades na Concreto, lá no coração da Vila Madalena. Palestras, vídeos, exposição dos fanzines recebidos e muito mais.

Você tem duas opções: ir ou ir!

Esperamos a presença de todo mundo. O Anuário será vendido nos dois dias do evento. Ficou uma belezura!

Programação completa aqui: https://uzf2011.wordpress.com/programaca/

Fizemos essa animação ano passado para divulgar o Anuário. Já tinha visto? Vê aí!

Saiu uma matéria sobre o Ugra Zine Fest no site da Trama Virtual. Ficou bem massa!

Agradecemos ao Tibiu, que escreveu a matéria, e ao time da Trama pela força, mantendo sua tradição de apoiar os eventos e bandas independentes. Vida longa!

http://tramavirtual.uol.com.br/noticia/2011/02/1-ugra-zine-fest

O entrevistado de hoje é o Rodrigo Okuyama, que dará a Oficina de Encadernação no sábado dia 12 de fevereiro durante o Ugra Zine Fest, lá na Concreto veja a programação completa

O Rodrigo faz o zine La Permura, um primor artesanal que você pode conferir no final desse post. O La Permura traz quadrinhos do Lobo, amigo do Rodrigo, que cria histórias geniais veja o blog dele

Graças ao excelente trabalho do Rodrigo fizemos um convite para que ele participasse do Ugra Zine Fest, ensinando sua técnica de encadernação artesanal. Ainda há vagas para a oficina! O valor para participar é R$ 15,00. Mais detalhes pelo email ugra.press at gmail dot com

Como surgiu o seu interesse pelo mundo dos zines?
Para falar a verdade conhecia (e ainda conheço) pouco do mundo dos zines antes de publicar o “La Permura”. Com a troca de zines, participando de palestras e conhecendo fanzineiros que (agora) estou conhecendo o mundo dos zines.

O La Permura, seu zine, é muito caprichado e detalhista. De onde surgiu a inspiração para começá-lo?
Surgiu quando quis publicar os quadrinhos de meu amigo Lobo (Bruno Decc) junto com os meus, além de fazer experimentos com o aquilo que estava estudando no meu TCC (trabalho de conclusão de curso).

Quanto tempo leva para a confecção de um exemplar do La Permura?
A encadernação (considerando a dobradura das páginas, passar cola, juntar a lombada, refilar, furar e costurar) de cada exemplar varia em cada edição: a primeira deve demorar 10 minutos, a segunda deve demorar uns 5 minutos e a terceira deve demorar 10 minutos. Ainda pode somar ao tempo a produção das capas, que são em estencil em materias diferentes (o n° 1 foi em papel craft, a segunda tinha uma contracapa em papel vegetal e a terceira utilizou o tetrapak de caixas de leite).

Blog do Rodrigo http://cartundoounada.blogspot.com/

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Barata (ao fundo) e João Kombosa no quintal da casa de alguém

A entrevista de hoje é com o Test, a nova dupla grindcore de São Paulo que está destroçando tudo por onde passa. O recente show deles no +Soma bombou absurdamente. Também pudera: é o batera do D.E.R. no comando das baquetas e o alucinado João Kombosa (ex-vocal do Are You God?) na guitarra e nos berros. Insanidade e blast beats!

Eles tocam na sexta-feira no sexta-feira 11 de fevereiro, na festa de lançamento do Anuário de Fanzines, lá no Espaço Impróprio. Cola lá e confira o show dos caras! veja a programação completa

Como surgiu o Test?
Então, eu (Barata) estava sem banda e coloquei um anúncio em um zine, o Factor Zero. O João viu e entrou em contato, ele estava um tempo parado, tinha desencanado de tudo quando viu o anúncio. Falou sobre as coisas malucas que ele queria fazer e eu topei. Não sou tão maluco quanto ele mas embarco junto.

Vocês são uma banda nova. Quais os planos para o futuro?
O plano é nao ter plano, na verdade o plano é descarregar a raiva do dia a dia ali. Mas faremos músicas pra um 4way split que vai sair (tomara!) ainda esse ano. Test, Deranged Insane, Facada e Western Day. E claro, tocar no Impróprio antes de fechar.

Algum de vocês dois fez/faz fanzines? Algum zine que leram e querem destacar?
A gente já participou de muitos, somos da época das trocas de fitas e zines, até hoje temos muitos aqui. Hoje em dia não dá pra ter a ideia de como os zines foram e sempre serao importantes pro underground. Mas destacamos um: o NÁUSEA, que o Marcelo do Rot faz. É animal. Página pra caramba, muitas fotos e só banda animal lá no meio.


A Ugra Press e o Ugra Zine Fest foi alvo de uma pequena matéria no site Catraca Livre, site de jornalismo educativo e cultural que seleciona diariamente as melhores atrações culturais gratuitas e a preço popular da região metropolitana de São Paulo e algumas capitais brasileiras.

Obrigado ao time do Catraca Livre pela divulgação! Vejam a matéria http://catracalivre.folha.uol.com.br/2011/02/fanzines-zines-e-publicacoes-alternativas/

Hoje entrevistamos o Bernardo do Elma. A banda fará no Ugra Zine Fest a sua primeira apresentação do ano. Esperamos doses cavalares de peso, distorção e minimalismo complexo!

E lembre-se: a festa de lançamento é nessa sexta, 11 de fevereiro, lá no Espaço Impróprio veja a programação completa

Quase 10 anos de Elma. Quantos discos nessa trajetória?
O processo é lento, só uma demo e um EP até agora. Nosso disco full tá gravado, em processo de mixagem.

O show do Elma no Ugra Zine Fest: teremos surpresas? Músicas novas?
Devemos tocar a última musica que fizemos, pra uma coletanea que sai este mês, e mais bastante coisa do disco novo.

Você já fez fanzines? Outro membro do Elma Fez/faz? Algum zine que gostou e quer destacar?
Nunca fiz mas gosto de fanzines, ler as coisas no papel é sempre mais legal.

O evento de encerramento do Ugra Zine Fest será a aguardada estreia do documentário “Fanzineiros do Século Passado”, realizado pelo incansável Márcio Sno.

Exibiremos o documentário no segundo dia do evento,  sábado que vem, 12 de fevereiro, às 21h10 lá na Concreto, um novo espaço alternativo bem no coração da Vila Madalena (Rua Fradique Coutinho, 1209, São Paulo/SP). Veja a programação completa do Ugra Zine Fest

Confira a seguir dois trechos do documentário:

Jacob Crisis e Peter Frammer

Até o dia do Ugra Zine Fest publicaremos pequenas entrevistas com as bandas e algumas das pessoas participantes. E quem inaugura essa série são os drogados, ops, integrantes do Sleepwalkers´Maladies, duo de experimental acid neofolk que fará sua primeira apresentação na sexta-feira 11 de fevereiro, na festa de lançamento do Anuário de Fanzines, no Espaço Impróprio veja a programação completa

1) No Ugra Zine Fest acontecerá o primeiro show do Sleepwalkers Maladies. O que podemos esperar disso?
Loops e sandices. Também vamos encher o palco de sentimentos esquisitos, como o constrangimento e o amor. Preparamos uma projeção exclusiva para o evento para acompanhar nossos sons. Pensamos em levar nossas avós para assistir e fazer uma performance, mas não tivemos verba.

2) Terá algum material da banda disponível no dia do show?
Teremos. Faremos um stand com uma penca de coisas, e lá no meio você poderá achar uma edição limitada e personalizada de somente 23 cópias do álbum “Monges descolados”, lançado pelo nosso selo Anti-Ugra, que faz parte de nossa promessa de bêbado nada legal de fazer todas as capas a mão. Acho que vai rolar um DVD também, se der tempo. Toda a grana arrecadada no stand será revertida para o lançamento do nosso bolachão futuro; incentive a cultura.

3) Vocês fazem fanzines? Fizeram? Farão?
O Jacob  fez o “Batzone” e o “MGTO” de 2003 a 2005, ambos eram focados em pós-punk e deathrock. Chegou a escrever umas matérias pro “De Profundis” do Morpheus Affinito, que era um zine do caralho. Depois disso o Jacob só escreveu uns panfletos de conversão religiosa da seita Pan-Schwaskaísta que foram distribuídos na rua em 2007. Já Peter Frammer foi o rei do fanzine na época em que morava em Piracicaba e atualmente se dedica a desenhar HQ, que serão lançados na revista “Doenças Tropicais”, um dia sai.